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Como os seres vivos nos ajudam a desvendar as alterações naturais?


A intervenção do homem e as modificações na biota ao longo do tempo, foram causando alguns prejuízos nos ecossistemas, sendo alguns deles identificados tarde demais, dificultando a conservação do meio e da biodiversidade. Felizmente, foram desenvolvidas técnicas de Monitoramento Ambiental, químico, físico e biológico, para que esses efeitos fossem reconhecidos de forma mais rápida, fácil, e eficiente.


O Biomonitoramento Ambiental está inserido nesse contexto e seu conceito baseia-se no uso de alguns organismos vivos como instrumentos para avaliar a qualidade de um ambiente. Os seres utilizados são chamados de bioindicadores, que conseguem captar aspectos da condição ambiental, por serem sensíveis às mudanças do meio, tornando possível a avaliação e o monitoramento dos poluentes presentes em uma área estudada.


Além disso, atualmente, no universo empresarial tornou-se cada vez mais necessária a avaliação do impacto que um empreendimento pode causar com sua construção e seu funcionamento.


Por isso, muitas empresas recorrem ao monitoramento ambiental, visando dimensionar a magnitude desses efeitos e planejar medidas preventivas para impedi-los (Está precisando de um Monitoramento Ambiental para sua Empresa? Entre em contato com a MinasBio!).



Biomonitoramento e seus agentes em diferentes ecossistemas:


Na prática, o uso desses animais pode ser adotado em diversos espaços, como, por exemplo, avaliação das condições do ar, da água e da terra. Ou seja, existem espécies indicadoras em todos os ecossistemas. Veja a seguir alguns exemplos:


1. Ambiente aquático:


É importante lembrar que os sistemas biológicos possuem certa estabilidade e equilíbrio dinâmico, e qualquer estressor pode alterar essas condições, como, sedimentos, medicamentos, produtos químicos, efluentes agrícolas, industriais e domésticos.


Na água, a presença dessas substâncias tóxicas, a redução de nutrientes ou as mudanças na temperatura, no pH e no oxigênio dissolvido são percebidos pelos indivíduos, causando uma reação fisiológica, morfológica ou comportamental. Dessa forma, é possível determinar a situação das atividades biológicas e avaliar se estão ocorrendo de forma saudável ou não.

Fonte: MAGALHÃES e FILHO (p.4)

Figura 1 - Faixas de tolerância e níveis de atividade biológica requeridos para manter as funções vitais dos organismos sob um gradiente de condições ambientais.


O objetivo principal é identificar o dano em uma escala individual, antes que atinja a população, a comunidade e o ecossistema.


Para isso, são adotados alguns estudos na Ecotoxicologia (ciência que estuda os efeitos das substâncias naturais e sintéticas nas populações ou comunidades aquáticas e terrestres). Com isso, seus objetivos são: saber mais sobre o agente químico responsável pela toxicidade, os tipos e a quantidade dessas substâncias no ambiente aquático.


Bioindicadores na água:


Existem várias espécies capazes de auxiliar os estudos de qualidade da água. Pensando nisso, é relevante selecionar indivíduos em diferentes níveis tróficos do meio aquático:


Clorella vulgaris. Foto por Florais
  • Algas: Clorella vulgaris ou Selenastrum capricornutum. As algas podem apresentar alteração nas células de permeabilidade, no potencial de assimilação de nutrientes e nos processos químicos, sinalizando poluição.

Além disso, algumas são capazes de remover a toxicidade da água (exemplo: níveis excedentes de nitrogênio e fósforo).




Daphnia similis. Foto por Paul Hebert

  • Microcrustáceos: Daphnia similis. Quando essa espécie se reproduz assexuadamente em condições favoráveis, há somente a produção de fêmeas. Essa questão muda em situações desfavoráveis, originando uma população de machos.

Além da produção de efípios sexuadamente, que são ovos com uma casca dura e resistente a condições adversas.




  • Peixes: Astyanax fasciatus (Lambari do Rabo Vermelho). Dependendo do grau de degradação ambiental, seus parâmetros reprodutivos sofrem mudanças significativas.

Astyanax fasciatus. Foto por Aquarismo Ornamental

2. Ambiente aéreo


O impacto que a poluição atmosférica tem sobre o ambiente urbano e a saúde dos seres vivos é enorme, por essa razão, torna-se cada vez mais necessário investir no monitoramento da qualidade do ar, principalmente nas cidades.


Biomonitores no ar:

  • Plantas: Algumas substâncias tóxicas se acumulam nos tecidos vegetais, causando modificações bioquímicas, fisiológicas e morfológicas. Consequentemente, a planta reage a esses estresses, e nos revela as características do ambiente.

Em nível macroscópico, elas podem apresentar cloroses, necroses, queda de folhas, diminuição do seu crescimento, entre outros.


Na Tradescantia pallida, por exemplo, a presença de toxicidade no ar atrapalha seus cromossomos e estão associados a formação de micronúcleos, além do aumento dos estômatos na superfície foliar.

Tradescantia pallida. Foto por Notícias de Jardim
  • Aves: Antilophia galeata (Soldadinho), Basileuterus culicivorus (Pula-pula de barriga branca), Myiothlypis flaveola (Canário do mato). Respondem rapidamente a distúrbios ambientais, que ocorrem a nível local, regional e global, por isso, são consideradas ótimas indicadoras.

As condições que podem ser avaliadas nas aves em ambientes com grau de perturbação ambiental são: análise dos valores de assimetria flutuante (asas e tarso), da condição corporal pelo IMR, do micronúcleo (mutação a nível cromossômico) e diferenças nos padrões de canto.

Antilophia galeata. Foto por Leonardo Casadei

Quer saber mais sobre como as aves indicam se um ambiente é saudável ou não? Leia nosso texto "Aves urbanas como indicadores de Qualidade Ambiental".


3. Ambiente terrestre


O solo é outro meio muito afetado pela poluição, podendo ser causada pelo contato com produtos químicos, resíduos sólidos ou resíduos líquidos, além do mau uso, que podem deteriorar o ambiente terrestre, causando grandes prejuízos à natureza e às pessoas.

  • Insetos: Ordens como Coleoptera, Diptera, Hemiptera, Hymenoptera, Lepidoptera e Orthoptera são importantes reveladores da qualidade do solo. São animais rapidamente afetados por mudanças ambientais e perturbações antrópicas, reduzindo drasticamente suas populações.

Além disso, dependendo da espécie e de sua forma de alimentação em determinado meio, é possível saber qual a situação que aquela área se encontra.


Foto por Pibid Bio UFSJ

Por exemplo, coleópteras herbívoros prevalecem em ambientes degradados com início de regeneração, enquanto os coleópteros detritívoros e fungívoros têm maior ocorrência em áreas conservadas.





Além dos besouros, grandes indicadoras são as abelhas, como, por exemplo, as Meliponas, que são sensíveis ao desmatamento e ao uso de inseticidas na agricultura. Esse gênero é usado para monitoramento em áreas de mineração, de agricultura ou urbanas, além de possuir diversos benefícios comerciais.


A MinasBio realiza o serviço de Meliponicultura, além de treinamentos personalizados para quem quer começar uma criação de abelhas sem ferrão. Para saber mais, entre em contato com a gente!

Foto por Abelhas Jataí

Por fim, as formigas também são importantes bioindicadores, por terem uma ampla distribuição geográfica, alta riqueza de espécies, resposta rápida ao estresse do meio e facilidade de amostragem e identificação.


Com isso, as condições climáticas, a complexidade estrutural da vegetação, a biodiversidade da fauna local, a heterogeneidade da serrapilheira e da flora, influenciam diretamente na população das formigas no meio terrestre.


Quer conhecer mais sobre os insetos? Leia o texto “Insetos - O grupo mais abundante do planeta?”.

Foto por BioOrbis

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REFERÊNCIAS:


SILVEIRA, Mariana Pinheiro. Aplicação do Biomonitoramento para Avaliação da Qualidade da Água em Rios. Embrapa, Jaguariúna, SP, 2004. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/14518/1/documentos36.pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


MARTINS, Yuri Simões. Análise comparativa da morfologia gonadal de seis espécies de peixes pertencentes aos gêneros Incertae Sedis em Characidae de ocorrência na bacia do rio São Francisco, Brasil. 2010. Dissertação (Pós Graduação em zoologia) - Universidade Católica de Minas Gerais, [S. l.], 2010. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/elibrary.tips_belo-horizonte-maro-de-2010.pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


LESSA, Higor Fernandes Damasceno. O uso do bioindicador Daphnia similis claus, 1876 (Crustacea, Cladocera) para avaliação da toxicidade aguda da água superficial do reservatório da Lagoa da Pampulha. 2010. TCC (Graduação em Ciências Biológicas) - Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, [S. l.], 2010. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/543-1504-1-SM%20(1).pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


MARQUES; AMÉRICO-PINHEIRO, Sâmia Momesso; Juliana Heloisa Pinê. Algas como bioindicadores da qualidade da água. ANAP, Brasil, [s. l.], 2017. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/1651-3310-1-SM%20(1).pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


LIMA, Josanidia Santana. Bioindicação, biomonitoramento: Aspectos bioquímicos e morfológicos. Techoje, [S. l.], p. 1-9, 4. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/artigo.pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


ENCONTRO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, 2014, Grande Dourados. Avaliação da poluição do ar com base nos efeitos morfoanatômicos de Tradescantia pallida (Rose) D.R. HUNT VAR. PURPÚREA [...]. [S. l.: s. n.], 2014. Disponível em: http://eventos.ufgd.edu.br/enepex/anais/arquivos/490.pdf. Acesso em: 4 abr. 2021.


MAGALHÃES, Danielly de Paiva; FERRÃO FILHO, Aloysio da Silva. A ecotoxicologia como ferramenta no biomonitoramento de ecossistemas aquáticos. Oecol. Bras., v.12, n.3, p.355-381, 2008.


BAESSE, Camila Queiroz. Aves como biomonitoras da qualidade ambiental em fragmentos florestais do cerrado. 2015. Dissertação (Pós Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, [S. l.], 2015.


OLIVEIRA, Marco Antonio de et al . Bioindicadores ambientais: insetos como um instrumento desta avaliação. Rev. Ceres, Viçosa , v. 61, supl. p. 800-807, Dec. 2014 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-737X2014000700005&lng=en&nrm=iso>. access on 04 Apr. 2021. https://doi.org/10.1590/0034-737x201461000005.




Sobre a autora: Marcela Andressa Sponchiado, graduanda em Ciências Biológicas/Bacharelado – UFU. Apaixonada por plantas e animais.

Contato: sponchiadoma.2000@gmail.com



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