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O efeito do fogo nos biomas brasileiros

Cada bioma brasileiro é constituído de características da fauna e da flora únicas, que reagem ao fogo de diferentes maneiras, dessa forma é importante entender como o fogo se relaciona com cada um deles e qual seu efeito.


Pantanal em chamas como resultado de queimadas e mudanças climáticas. Imagem: Iberê Périssé


Dos biomas brasileiros - Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Pampas - o Cerrado é o mais adaptado à incêndios naturais, aqueles que acontecem por raios.


Sua vegetação apresenta características ligadas à presença frequente do fogo espontâneo, como por exemplo: os troncos tortos das árvores e arbustos, as cascas dos mesmos são grossas para proteção dos tecidos internos, a presença de estrutura subterrâneas para armazenamento de nutrientes, adaptações nos processos ecológicos e, em algumas espécies, a germinação e florescimento e reciclagem de nutrientes do solo dependem da ocorrência de incêndios naturais.( Fidelis e Pivello, 2011; Moreira de Araújo et al, 2012).


Além disso, o cerrado também apresenta uma alta resiliência ao fogo natural, ou seja, ele é capaz de resistir aos danos desses incêndios e se recuperar, voltando ao seu estado inicial, no entanto, em casos de grandes queimadas sua resiliência é baixa, o que provoca grandes danos.


Quer conhecer mais sobre o cerrado? Leia nossos textos sobre suas fitofisionomias e sobre suas frutas.











Fotos: Dyessica Nunes


No Pampas - chamado de Campos Sulinos - as vegetações também apresentam algumas adaptações para resistir ao fogo natural, como presença de estruturas subterrâneas com função de armazenamento, e algumas espécies são estimuladas pelo fogo a florescerem.(Fidelis e Pivello, 2011) .


O Pantanal, é considerado um bioma dependente do fogo natural por conta das características de sua vegetação e seu histórico evolutivo (Alves e Alvarado, 2019; Da Silva et al, 2020), porém esse fogo ocorre na época de chuvas e ele próprio se controla, o que não é o que está acontecendo neste ano, uma vez que o bioma está passando pela pior seca dos últimos 50 anos, o que intensificou os incêndios, os quais tomaram proporções gigantescas de destruição, causando danos irreversíveis ao bioma e destruindo uma grande parte do mesmo.


Foto: SOS Pantanal/ reprodução


A frequência e a intensidade dos incêndios espontâneos definem o impacto que ele terá no bioma. (Frizzo et al, 2011). No Brasil, quem monitora os focos de calor via satélite é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O bioma Amazônico e a Mata Atlântica possuem sensibilidade ao fogo, ou seja, grande parte de sua flora não possui mecanismos que o ajude a minimizar os seus impactos ou se recuperar, o que torna mais preocupante os efeitos dos incêndios.


O fogo nesses locais geralmente é induzido por ação humana e consequência dos desmatamentos, que deixam o solo mais suscetível.


A Caatinga é considerada independente do fogo, devido às condições climáticas do bioma não serem favoráveis a ele e a escassez de biomassa, porém na caatinga também ocorrem os incêndios criminais como nos outros biomas. (Alves e Alvarado, 2019; Da Silva et al, 2020).


Área de desmatamento e queimada é vista às margens da BR-230 em Apuí (AM)

(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/09-08-2020)


Queimadas em 2020


É importante salientar que a maior parte dos incêndios que estão ocorrendo não são naturais, e sim criminais, alinhados ao desmatamento estão causando uma crise ambiental gigantesca e que trará grandes consequências ao país.


Segundo o INPE, até o final de setembro deste ano 23% do Pantanal foi queimado e somente nos primeiros 14 dias do mês de setembro o número de focos de queimada na Amazônia foi de 20.485, ultrapassando o número de focos de calor no mesmo mês completo do ano passado (19.925 focos).


Para a manutenção da biodiversidade do nosso país é importante a discussão de questões como a do fogo, o que ele tem causado e suas origens e lutarmos para a preservação, combate das queimadas criminosas e para que as leis ambientais do Brasil sejam mantidas e executadas.


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Tuiuiús, aves características do Pantanal. Foto: Iberê Périssé/ Projeto Solo


Referências:

FIDELIS, Alessandra; PIVELLO, Vânia Regina. Deve-se usar o fogo como instrumento de manejo no Cerrado e Campos Sulinos?. Biodiversidade Brasileira-BioBrasil, n. 2, p. 12-25, 2011.


MOREIRA DE ARAÚJO, Fernando; FERREIRA, Laerte Guimarães; ARANTES, Arielle Elias. Distribution patterns of burned areas in the Brazilian biomes: an analysis based on satellite data for the 2002–2010 period. Remote Sensing, v. 4, n. 7, p. 1929-1946, 2012.


ALVES, Daniel Borini; ALVARADO, Swanni T. VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA OCORRÊNCIA DO FOGO NOS BIOMAS BRASILEIROS COM BASE NA ANÁLISE DE PRODUTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO. Geografia, v. 44, n. 2, p. 321, 2019.


DA SILVA, Joelma Mayara et al. Análise de séries temporais de focos de calor em biomas brasileiros utilizando o Grafo de Visibilidade Horizontal. Research, Society and Development, v. 9, n. 9, p. e308996276-e308996276, 2020.


FRIZZO, Tiago LM et al. Uma revisão dos efeitos do fogo sobre a fauna de formações savânicas do Brasil. Oecologia Australis, v. 15, n. 2, p. 365-379, 2011.


WATANABE, Phillipe. Em 14 dias do mês, Amazônia já tem mais queimadas que em todo setembro do ano passado. Folha de São Paulo, São Paulo, 15 de setembro de 2020. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2020/09/em-14-dias-do-mes-amazonia-ja-tem-mais-queimadas-que-em-todo-setembro-do-ano-passado.shtml>. Acesso em 04 de outubro de 2020.


HAJE, Lara. Inpe confirma aumento de quase 200% em queimadas no Pantanal entre 2019 e 2020. Agência Câmara de Notícias, Brasília, 30 de setembro de 2020. Disponível em:<https://www.camara.leg.br/noticias/696913-inpe-confirma-aumento-de-quase-200-em-queimadas-no-pantanal-entre-2019-e-2020/#:~:text=%E2%80%9CEm%202020%20o%20n%C3%BAmero%20de,do%20Pantanal%20j%C3%A1%20haviam%20queimado.&text=Os%20dados%20foram%20apresentados%20na,enfrentamento%20de%20queimadas%20no%20Brasil>. Acesso em 04 de outubro de 2020.






Sobre a autora: Maria Cecília Porto Novais, graduanda em Ciências Biológicas/Licenciatura-UFU.

Contato: mceciliapnovais@gmail.com @ceciliapnovais




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