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Síndrome da Polinização- O que é?

Existem muitos grupos de animais polinizadores. Além deles, a chuva e o vento também oferecem esse serviço ecossistêmico para algumas espécies de flores. É possível prever por qual animal ou meio abiótico uma flor será polinizada?


Nesse texto vamos entender o que é Síndrome da Polinização e qual é a importância de conhecê-la.


Foto: Darwinianas, outubro 2019.

As flores e a polinização


Um dos processos mais admiráveis que ocorre nas plantas diz respeito ao seu ciclo reprodutivo, uma vez que elas não se locomovem em busca de um par para se reproduzirem, como acontece com a maioria dos animais.


É através da polinização que a reprodução da maioria das plantas com flores acontece, leia nosso texto A relação das abelhas com o aumento da produtividade agrícola em pequenas e grandes propriedades.


A polinização é uma interação ecológica entre a flor e um ou mais agentes polinizadores, podendo ser eles: animais, como os insetos, lagartos e pequenos mamíferos, meios abióticos como a chuva ou o vento e o ser humano no caso de polinização mecânica.


Foto: Valentín Pérez Mellado.

Síndrome da Polinização: especialização e generalização


Síndrome da Polinização ou Síndrome Floral, é um conjunto de características florais que atestam uma condição entre a flor e seus polinizadores. Muitas vezes é entendida e explicada como um modelo de chave-fechadura, refletindo muito o viés da coevolução.


Peguemos de exemplo as flores polinizadas por morcegos: em síntese são flores ou inflorescências grandes, que abrem no período da noite, brancas ou de cores pouco chamativas, com um forte odor e grande quantidade de néctar e pólen.


Esses atributos são adaptações ao equipamento sensorial e às características morfológicas dos seus polinizadores, os morcegos.


Foto: Revista Actual.

Os morcegos polinizadores visitam flores para consumir pólen ou néctar e acabam por transportar pólen de uma flor à outra, geralmente através dos seus pelos, realizando assim a polinização.


Eles realizam a localização do seu alimento principalmente através do olfato (característica que se relaciona ao forte odor das flores polinizadas por eles) e da ecolocalização (que se relaciona com a característica das colorações pouco chamativas). Em grande maioria, os morcegos possuem hábitos noturnos (característica que se relaciona com o período de afloramento noturno das flores polinizadas por morcegos).


Essa relação especializada dos atributos florais com os atributos sensoriais e morfológicos desses morcegos, configura uma síndrome floral, no caso quiropterofilia.


Foto: Projeto Educação Ambiental.

Hoje, temos uma grande categorização de síndromes florais e a maioria das plantas com flores podem ser associadas a uma delas.


Características das síndromes florais:


  • Anemofilia - Flores polinizadas pelo vento.


Flores anemófilas não apresentam coloração e estruturas atrativas, geralmente são verdes ou esbranquiçadas; flores sem néctar e sem odores.


Foto: Escola de botânica.
  • Melitofilia - Flores polinizadas por abelhas.


Flores melitófilas em sua maioria são flores que ficam abertas no período diurno, cores variando do ultravioleta ao amarelo intenso, odor frequentemente presente (“agradável” ao homem), possuem como recursos florais pólen, néctar (muitas vezes escondidos), óleo e em alguns casos resinas e voláteis florais.


Foto: Letícia Smania Donanzan.
  • Psicofilia - Flores polinizadas por borboletas


Ficam abertas no período da manhã, apresenta cores: amarela, laranja, vermelho, azul, branco, roxo e rosa, geralmente possuem guia de néctar, odor agradável, o recurso floral mais presente é o néctar e geralmente são flores tubulares.


Foto: Divulgação.
  • Esfingofilia - Flores polinizadas por esfingídeos e outras mariposas


Florescem e liberam odor (muito forte, agradável e às vezes narcótico) no período noturno, cores branca e creme, o recurso floral é o néctar que fica bem escondido.


Foto: Todos contra o desmatamento.

Foto: Orquidário Santa Clara.
  • Miofilia - Flores polinizadas por moscas


A cor das flores varia de castanha, vermelha, amarela, esverdeada, geralmente com manchas coloridas abundantes, com brilho forte frequentemente com armadilhas que mantêm moscas temporariamente presas; odor muito forte, desagradável e até repugnante, assemelhando-se à material em decomposição; muitas vezes sem recursos florais.





  • Cantarofilia - Flores polinizadas por besouros


Flores que florescem geralmente no período noturno; sem coloração específica, frequentemente verdes ou esbranquiçadas; robustas, grandes, e com produção de odores fortes.


Foto: iGUi Ecologia.
  • Ornitofilia - Flores polinizadas por aves


Flores – vermelho, amarelo, laranja, azul, lilás, branco; sem odor; néctar em grande quantidade, geralmente escondido.


Foto: Pinterest.
  • Quiropterofilia -Flores polinizadas por morcegos


Como vimos, flores quirópteras florescem no período noturno, geralmente restrita a uma noite; flores com cores pouco chamativas, esbranquiçadas, avermelhadas, esverdeadas, castanhas; grandes, robustas, forte odor noturno, lembrando algo fermentado; quantidade muito grande de néctar e pólen; frequentemente, grande quantidade de estames.


Foto: Merlin D. Turtlle.

Várias flores são polinizadas efetivamente por diferentes grupos de animais, por conta disso são classificadas como flores generalistas.


Em geral, as flores da família asteraceae (girassol, girassol mexicano, margarida, crisântemo, alface, entre outros representantes) têm sistema de polinização generalista, sendo visitadas por muitos grupos de polinizadores, como borboletas, abelhas, moscas e besouros.


Cosmos sendo polinizado por diferentes grupos de insetos:


Foto: neenawat555.











Essas flores podem ser entendidas como ausentes de síndromes florais, embora possuem características específicas que as categorizam como flores generalistas.


Eai, gostou do texto?


Você já conhecia as síndromes de polinização? Conta pra gente! Consegue olhar pras características de uma flor e pensar qual animal consegue polinizá-la?



REFERÊNCIAS:


RECH, André Rodrigo; AVILA JR, RS de; SCHLINDWEIN, Clemens. Síndromes de polinização: especialização e generalização. Biologia da polinização, p. 172-180, 2014.


MURILLO, Fernando ; RODRIGUES. Curso de Pós-Graduação em Ecologia -Universidade de São Paulo. [s.l.]: , [s.d.]. Disponível em: <http://ecologia.ib.usp.br/curso/2016/pdf/PI_MURILLO.pdf>. Acesso em: 17 May 2021.


SILVA, Jacilene; SILVA, Leonardo; GS NASCIMENTO, Luciana; et al. Status sucessional das florestas influenciam a frequência e diversidade de síndromes de polinização? [s.l.]: , [s.d.]. Disponível em: <http://www.naturezaonline.com.br/natureza/conteudo/pdf/03_SilvaJBetal_105110.pdf>. Acesso em: 17 May 2021.


DE, Clóvis ; ROCHA, Andrade. Morcegos Polinizadores. [s.l.]: , [s.d.]. Disponível em: <http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/mirante/dezembro_2013/pdf/morcegos_polinizadores.pdf>.




Sobre a autora: Bruna Gentil, graduanda em Ciências Biológicas/Bacharelado-UFU.


Contato: brunagentils0@gmail.com @jabotiacaba_




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