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Polinização por engodo, como enganar seu polinizador


Fonte: Pixabay

A polinização é um processo de transferência dos grãos de pólen, localizados nos órgãos masculinos da planta para os órgãos femininos. As células reprodutivas masculinas (grãos de pólen) são transferidas das anteras para o estigma, isso pode ocorrer na mesma flor ou em outra flor da mesma planta. Esse processo é necessário para que o pólen possa germinar no estigma da flor e fecundar os óvulos dando origem às sementes. Como as plantas não podem se deslocar em busca de parceiros sexuais, elas tiveram que procurar outro meio para realizar essa atividade, por isso é necessário os agentes polinizadores.


Os agentes polinizadores mais conhecidos são as abelhas, mas existem diversas maneiras e espécies que contribuem para esse processo. Esses agentes polinizadores podem ser: o vento, a água, a gravidade e os mais comuns os animais. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em 2004, estima-se que aproximadamente 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo sejam polinizadas por alguma espécie de abelha, 19% por moscas, 6,5% por morcegos, 5% por vespas, 5% por besouros, 4% por pássaros e 4% por borboletas e mariposas. Sem esses agentes polinizadores a maioria das plantas não se reproduziria sexualmente, consequentemente não seria possível produzir sementes e dar origem a novos indivíduos para que seu material genético seja passado para as próximas gerações.


  • E como as plantas atraem os polinizadores?


As plantas possuem recursos atrativos específicos para seus polinizadores como: o cheiro, a forma, a cor, o néctar e os óleos que servem de alimento. Tudo isso é vantajoso para ambos, tanto para o polinizador quanto para a planta.


Mas ao longo do tempo as plantas evoluíram e criaram uma estratégia de sobrevivência eficaz para muitas plantas que têm dificuldade de atrair polinizadores. A polinização por engodo, descoberta por Sprengel (1793), é um processo em que uma planta atrai polinizadores usando recompensas enganosas e ele acaba transferindo o pólen da planta para outras flores da mesma espécie, realizando assim a polinização. Essas plantas simulam a presença de recursos florais, como néctar, pólen, óleos e local de desova para atrair esses indivíduos. Os polinizadores são atraídos por estímulos visuais e olfativos, que em muitos casos equilibram a falta de recompensas florais. E em casos extremos, pode haver algumas flores que simulam características de insetos fêmeas, atraindo machos da mesma espécie que tentam copular com a flor.


Fonte: Pixabay

(Conhecida como Orquídea borboleta, da família Orchidaceae)


Foi visto que, grande parte das plantas que exploram essa estratégia pertence à família Orchidaceae, as orquídeas. Nessas espécies a simulação de recompensa pode seguir um modelo generalista, no qual as espécies polinizadas por engodo possuem flores que se assemelham às flores das espécies que possuem as recompensas presentes. Porém existem casos bastante específicos nos quais espécies polinizadas por engodo produzem aromas extremamente específicos que atraem apenas uma espécie de polinizador.


Apesar de ser uma relação em que o benefício é exclusivamente das plantas, é vista como uma importante estratégia de sobrevivência para muitas plantas que têm dificuldade em atrair polinizadores, como flores pouco vistosas ou plantas que crescem em ambientes hostis, como desertos ou regiões árticas. Além disso, a polinização por engodo é um exemplo fascinante de como a evolução pode levar à adaptação de diferentes espécies para sobreviver em seus ambientes.




REFERÊNCIAS:




Rech, André Rodrigo; Agostini, Kayna; Oliveira, Paulo Eugênio; Machado, Isabel Cristina. “Biologia da polinização”. Rio de Janeiro: Projecto Cultural, 2014. Disponível em: <https://www.researchgate.net/profile/Fabio-Pinheiro-3/publication/276279278_Polinizacao_por_engodo/links/555558c208ae980ca60ae899/Polinizacao-por-engodo.pdf>


Favato, Adriana Alves Lolis; Adrian, Izabel de Fátima. "A importância da polinização por insetos na manutenção dos recursos naturais". Acedido em Julho 15 (2009): 2532-8. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2532-8.pdf>





 



Sobre a autora: Carol Soares Duarte, graduanda em Ciências Biológicas, Licenciatura – UFU, é apaixonada pela biologia e todas as suas áreas, em especial a ecologia e suas interações.





 

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