Buscar
  • minasbioconsultoria

Migração Das Baleias Jubartes


Fonte: Paul Hilton.

A espécie Megaptera novaeangliae, em tradução literal “grandes asas da nova inglaterra”, conhecida no Brasil popularmente como baleia-jubarte, ganhou esse nome devido suas longas nadadeiras peitorais que podem chegar a ⅓ do seu corpo. Essas baleias atingem em média 16 metros de comprimento, cerca de 30 toneladas e possuem coloração preta e manchas brancas no dorso. Apesar de seu tamanho impressionante, ela é apenas a 9º maior baleia do mundo.


Fonte: Projeto Baleia Jubarte.

A baleia-jubarte é cosmopolita, ou seja, ocorre em todos os oceanos, e ganhou o título de o animal que mais migra no mundo, pois percorrem, em média, 25 mil quilômetros por ano, o que equivale a quase duas vezes o diâmetro da Terra. A migração é o deslocamento periódico de espécies de animais de uma região para outra, no qual diversas espécies têm o costume de migrar em determinadas épocas do ano.



Fonte: Leonardo Merçon.

No caso das jubartes, elas migram devido às mudanças de estações e temperatura das águas. Estes grandes mamíferos passam o verão na Antártica e se alimentam de pequenos peixes e pequenos crustáceos, entre eles, o krill. Durante o inverno, elas migram para águas mais quentes para se reproduzirem e darem à luz aos seus filhotes, pois as águas mais quentes são favoráveis para o desenvolvimento dos filhotes.

Fonte: Projeto Baleia Jubarte.

Mas não confunda, as baleias-jubarte que estão dando a luz são as que se reproduziram na estação passada, isso porque a baleia-jubarte tem uma gestação de 11 a 12 meses e apenas um filhote nasce por vez, com “apenas” 4 metros de comprimento, e seu peso pode atingir 1,5 toneladas. Além disso, o período de amamentação dura em torno de 1 ano e, durante todo esse tempo, a mãe cuida constantemente de seu filhote.


Fonte: Bia Hetzel.

A maior parte dos avistamentos de baleias na superfície são de mães com seus filhotes, pois eles ainda não têm capacidade de fazer grandes mergulhos e precisam vir mais vezes na superfície para respirar, pois, como todo mamífero, sua respiração é pulmonar. Com o fim do inverno, estes animais retornam para sua área de alimentação. A única exceção à migração são as baleias jubarte do Golfo Pérsico, que não migram e permanecem em águas quentes durante o ano inteiro.


Fonte: WEDEKIN.

As populações de baleia-jubarte são divididas em estoques de A a G onde normalmente, a mesma população sempre se alimenta e reproduz nos mesmos lugares. A população A, que regularmente visita águas brasileiras, é estimada hoje em mais de 20 mil indivíduos. Eventualmente, baleias de um estoque podem visitar outro estoque. Todas essas informações só são possíveis devido à técnicas de rastreamento por telemetria de satélite, na qual um drone lança um GPS que cola na pele das baleias.


Fonte: Projeto Baleia Jubarte.

Além deste, é também feito um método de comparação de catálogos de fotoidentificação, considerado o método mais comum. Trata-se de um banco de dados onde fica registrado fotos da nadadeira caudal dos indivíduos, em virtude dessas marcas nas nadadeiras serem como nossas digitais, cada animal tem marcas específicas e únicas. Quando essa nadadeira é avistada novamente, é possível identificar se ela é uma visitante ou se pertence àquele estoque.


Fonte: Julio Cardoso/Roberto Fortes.

Por se tratar de animais com hábitos oceânicos e que passam a maior parte da vida em zonas de difícil acesso, estudar a migração de baleias é um desafio, pois esses métodos são custosos e de difícil aplicação em grande número amostral, tornando o estudo de migração de baleias complexo, ao mesmo tempo, muito importante, pois fornecem informações acerca da história de vida desses fascinantes animais, além de informações que contribuem para o estudo de medidas eficazes para a conservação da espécie.


Gostou do texto? Conta pra gente aqui nos comentários, compartilhe e continue acompanhando o blog! Acompanhe também nosso Instagram (@minasbio).




REFERÊNCIAS:



SALLOUM, Kalil Cardoso. Migração de jubartes: uma história escrita nas barbatanas. 2022. 27 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar) - Instituto do Mar, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2022.


BRAITE, Fernanda. USP, 2008. Disponível em <http://www.usp.br/aun/antigo/exibir.php?id=2557#:~:text=Sua%20migra%C3%A7%C3%A3o%20consiste%20em%20passar,quentes%20durante%20o%20ano%20inteiro.> Acesso em 05/09/2022.


Projeto Baleia Jubarte, 2022. Disponivel em: <https://www.baleiajubarte.org.br/post/expedi%C3%A7%C3%A3o-sudeste-2022-confirma-import%C3%A2ncia-da-regi%C3%A3o-para-as-jubartes> acesso em 50/09/2022.



 

Sobre a autora: Júlia Mafra, graduanda em Ciências Biológicas / Licenciatura - UFU, é apaixonada pelo mar e animais, principalmente mamíferos aquáticos.

Contato: juliamafra.minasbio@gmail.com



 





29 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo