Entendendo as diferenças: Cateto, Queixada e Javali
- minasbioconsultoria

- há 6 dias
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Apesar de serem semelhantes, catetos, queixadas e javalis apresentam diferenças físicas e, principalmente, ecológicas. No Brasil, abrigamos duas espécies nativas e essenciais para os nossos biomas, e uma espécie invasora que ameaça a fauna e flora. Você consegue identificá-los?

Os dois representantes brasileiros pertencem à família Tayassuidae. O cateto, Pecari tajacu, tem um porte menor, medindo cerca de 45 cm de altura e pesando entre 15 e 30 kg. Sua pelagem apresenta tons de cinza e preto, com uma faixa clara diagonal que vai do dorso ao pescoço, formando um ‘’colar’’. Eles vivem em grupos de 2 a 30 indivíduos de ambos os sexos. Já o queixada, Tayassu pecari, possui um porte intermediário, atingindo de 90 a 150 cm de comprimento e 25 a 40 kg. Os adultos são pretos com uma mancha clara ao longo da mandíbula e formam bandos grandes e coesos, que podem chegar a centenas de animais com indivíduos machos e fêmeas.
Ambos desempenham papéis ecológicos importantes, atuando como dispersores de sementes, ajudando a manter a vegetação nativa. Além disso, são presas de várias espécies na nossa teia alimentar, servindo como base na dieta de grandes predadores de topo, como a onça-parda e onça-pintada. Por serem espécies silvestres nativas e fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas, essas espécies são protegidas pela Legislação Brasileira (Lei Nº. 5.197/1967).

Em contrapartida, temos o javali, Sus scrofa, espécie invasora nativa da Eurásia e porção noroeste da África que pertencem à família Suidae. Atualmente, ele está presente em todos os continentes, exceto na Antártida. Possuem orelhas e caudas maiores, além de caninos proeminentes e são bem maiores que os pecarídeos brasileiros, em que, os machos podem pesar de 30 a 190 kg e fêmeas de 15 a 110 kg. Machos adultos são solitários e os bandos são formados por fêmeas adultas e suas crias jovens, podendo chegar a 100 indivíduos.
Devido a sua alta densidade populacional e comportamento de chafurdamento, eles são engenheiro de ecossistemas, afetando negativamente o solo e os ecossistemas aquáticos, através do assoreamento e redução da qualidade da água. Além disso, a presença do Javali pode reduzir a cobertura vegetal rasteira em até 90%, prejudicando a regeneração das plantas e podendo levar espécies vegetais nativas a extinção. A nossa fauna também enfrenta desafios, através da competição por recursos e predação direta. O javali também provoca diversos prejuízos econômicos, sendo considerada por alguns estudiosos, uma espécie que traz mais impactos econômicos do que ambientais. Os principais impactos econômicos são na área da agricultura e pecuária, em que eles acabam atacando todo tipo de cultivo e os gados em sua fase juvenil. Além disso, a presença desses animais torna as populações locais mais susceptíveis a novas doenças, influenciando diretamente na ocupação desse local.

Para mitigar esses danos, é necessário um manejo populacional do javali. No Brasil, as principais técnicas envolvem a caça de espera, a caça com o auxílio de cães e o uso de armadilhas de captura viva, como currais e gaiolas. Alguns estudos mostram que existem alguns efeitos positivos da invasão, como o fato de servirem de presa para predadores nativos, estabelecerem relações mutualística de limpeza e alimentação com algumas espécies de aves e ajudarem na ciclagem de nutrientes do solo através do comportamento de chafurdamento. No entanto, é necessário realizar mais estudos para avaliar o real impacto do javali como espécie invasora. Dessa forma, o grande desafio atual é coordenar o controle eficiente dessa espécie invasora com a conscientização pública, garantindo a proteção das nossas espécies nativas.
REFERÊNCIAS:
PUERTAS, Fernando; PASSAMANI, Marcelo. A invasão do javali. Ciência Hoje, Rio de Janeiro, v. 56, n. 336, p. 28-33, 2016. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/a-invasao-do-javali/
SILVA, Virginia Santiago et al. Javalis, javaporcos e suiformes nativos: saiba diferenciar e conserve a fauna nativa. Brasília, DF: Embrapa: IBAMA: ICMBio. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/978804/1/Suiformes.pdf
ROSA, Clarissa Alves da, FERREIRA, Hugo Fernandes; ALVES, Rômulo Romeu Nóbrega. O Manejo do Javali (Sus Scrofa Linnaeus 1758) no Brasil: Implicações Científicas, Legais e Éticas das Técnicas de Controle de uma Espécie Exótica Invasora. Biodiversidade Brasileira, 8(2): 267-284, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.37002/biodiversidadebrasileira.v8i2.709

Sobre o autor: Me chamo Victor de Souza Carvalho e sou estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Tenho interesse na área de ecologia de mamíferos e educação ambiental.




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