Consumo da carne de animais silvestres: riscos à saúde, impactos ambientais e desafios para a conscientização
- minasbioconsultoria

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O consumo de carne de animais silvestres é comum em várias regiões do país, não sendo exclusiva de um único local, e está fortemente ligado a aspectos culturais, tradicionais e algumas vezes por necessidade, sendo transmitido entre gerações. Além de representar uma fonte de alimentação, essa prática envolve conhecimentos e técnicas de caça que fazem parte da identidade de muitos povos. No entanto, mesmo sendo comum, pesquisas indicam que grande parte da população desconhece os riscos associados a esse consumo, o que contribui para sua continuidade.
Apesar de sua relevância cultural, o consumo de carne de caça pode trazer sérias consequências para a saúde humana. Segundo especialistas, os impactos vão além das questões ambientais, incluindo a transmissão de zoonoses para os seres humanos. Nesse contexto, diversos animais silvestres atuam como reservatórios de doenças, como a hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Destaca-se o consumo da carne de tatu da espécie Dasypus novemcinctus, que pode funcionar como fonte ambiental desse agente infeccioso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, são registrados anualmente mais de 20 mil casos de hanseníase, sendo essa doença associada, em parte, ao contato e consumo de animais silvestres, especialmente em regiões como o Norte e o Centro-Oeste. Casos recentes também demonstram que pessoas podem contrair doenças graves ao tentar capturar animais, como infecções fúngicas adquiridas pelo contato com o solo contaminado próximo às tocas. Esses dados evidenciam não apenas os riscos à saúde, mas também a falta de informação e de controle sanitário envolvidos nessa prática.
Além dos impactos à saúde, o consumo de animais silvestres também gera grandes consequências sociais e ambientais. A redução do poder de compra de muitas famílias em relação às proteínas de origem convencional tem levado ao aumento da busca por carne de caça, intensificando a pressão sobre as espécies silvestres. No Brasil, a grande biodiversidade pode transmitir a falsa ideia de que esses recursos são inesgotáveis, o que contribui para sua exploração descontrolada. Dessa forma, a retirada contínua de animais da natureza pode causar desequilíbrios ecológicos e até a extinção de espécies, tornando essencial o fortalecimento da fiscalização, da educação ambiental e de ações de conscientização voltadas à preservação e ao uso sustentável desses recursos.
REFERÊNCIAS:
RODRIGUES MORAES, Bruna; SANTO ESPÍRITO DO VILHENA, Roberto; LOBÃO, Rayette Souza da Silva. Venda e consumo de carne de animais silvestres nas feiras de Belém, Paragominas e Abaetetuba – Pará. Revista UniAraguaia, Goiânia, v. 20, n. 1, 2025. Disponível em: Acessar artigo. Acesso em: 15 abr. 2026.
ASSOCIAÇÃO ALIANÇA CONTRA A HANSENÍASE (AAL). OMS divulga dados globais sobre hanseníase no relatório epidemiológico 2025. Disponível em: Acessar conteúdo. Acesso em: 15 abr. 2026.
CAJAIBA, Reinaldo Lucas et al. Animais silvestres utilizados como recurso alimentar em assentamentos rurais no município de Uruará, Pará, Brasil. 2015. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Reinaldo-Cajaiba/publication/282452390_Animais_silvestres_utilizados_como_recurso_alimentar_em_assentamentos_rurais_no_municipio_de_Uruara_Para_Brasil/links/5be4dab292851c6b27b077bf/Animais-silvestres-utilizados-como-recurso-alimentar-em-assentamentos-rurais-no-municipio-de-Uruara-Para-Brasil.pdf. Acesso em: 15 abr. 2026.

Sobre o autor: Samuel de Paula, graduando em Ciências Biológicas - Licenciatura pela UFU. Apaixonado por música, arte e pela natureza. Tem interesse nas áreas da ecologia e educação ambiental.
E-mail de contato: samuel.oliveira.minasbio@gmail.com





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