Por que baleias nadam diferente dos peixes?
- minasbioconsultoria

- há 1 dia
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Você já reparou que baleias e golfinhos nadam de “cima para baixo”, enquanto os peixes se movem de “um lado para o outro”? Essa diferença está diretamente relacionada à história evolutiva desses animais. Embora ambos vivam no ambiente aquático, seus corpos carregam adaptações herdadas de ancestrais muito distintos, o que influencia a forma como se locomovem na água.

Os primeiros vertebrados que colonizaram o ambiente terrestre apresentavam locomoção lateralizada, semelhante à dos répteis atuais. Com o passar do tempo, os ancestrais dos mamíferos desenvolveram uma coluna vertebral com maior flexibilidade no eixo vertical. Isso ocorreu porque, durante o movimento lateral, há compressão alternada dos pulmões, o que dificulta a respiração eficiente, algo desfavorável para animais corredores. Assim, a flexão vertical da coluna se tornou mais vantajosa, permitindo maior eficiência respiratória e melhor desempenho locomotor.
Mamíferos terrestres modernos, como grandes felinos, utilizam essa flexão vertical da coluna para gerar impulso durante a corrida. Grande parte da energia do movimento vem justamente desse padrão de flexão e extensão. Essa adaptação foi essencial para o sucesso desses animais em ambientes terrestres, especialmente na caça e na fuga de predadores.

Quando alguns desses mamíferos retornaram ao ambiente aquático, dando origem a baleias e golfinhos (a partir de ancestrais como o Pakicetus), eles já possuíam essa estrutura corporal adaptada ao movimento vertical. Mesmo vivendo novamente na água, eles não “voltaram” ao padrão de locomoção lateral típico dos peixes. Isso ocorre porque a evolução não é um processo reversível simples.

De acordo com a Lei da Irreversibilidade, proposta pelo paleontólogo Louis Dollo em 1893, um organismo não consegue retornar exatamente a um estado ancestral, mesmo sob condições ambientais semelhantes. Assim, baleias e golfinhos mantiveram o padrão de flexão vertical da coluna e o adaptaram à vida aquática, resultando no nado característico de “cima para baixo”.
Referencias:
Texto inspirado em vídeos do TikTok de uma bióloga marinha, Kristyn tiktok.com/@kpassionate
DOLLO, Louis. Les lois de l'évolution. Bulletin de la Société Belge de Géologie, de Paléontologie et d’Hydrologie, v. 7, p. 164–166, 1893.
JONES, K. E.; ANGIELCZYK, K. D.; POLLY, P. D.; HEAD, J. J.; FERNANDEZ, V.; LUNGMUS, J. K.; TULGA, S.; PIERCE, S. E. Fossils reveal the complex evolutionary history of the mammalian regionalized spine. Science, v. 361, n. 6408, p. 1249–1252, 2018.
GILLET, A.; JONES, K. E.; PIERCE, S. E. Repatterning of mammalian backbone regionalization in cetaceans. Nature Communications, v. 15, p. 7587, 2024. https://doi.org/10.1038/s41467-024-51963-w

Sobre a autora: Ana Elisa Barcelos Vilarinho, graduanda de Ciências Biológicas / Bacharel – UFU. Sou apaixonada em ecologia comportamental, principalmente de grandes mamíferos.





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