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ConheƧa Wangari Maathai e Sua Luta em Prol do Meio Ambiente e dos Direitos das Mulheres

  • Foto do escritor: minasbioconsultoria
    minasbioconsultoria
  • 27 de set. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de out. de 2023


A primeira mulher africana a receber um Prêmio Nobel da Paz, Wangari Muta Maathai, nasceu no dia 01 de abril de 1940, em uma vila rural de Nyeri, centro da atual República do Quênia, num período em que o país estava sob domínio britânico. Em tal contexto, seu pai trabalhava como mecânico e motorista, e sua mãe era agricultora, podendo ser considerada uma das responsÔveis por cativar na filha certa consciência ambiental, desde tenra idade, ao explicar que as Ôrvores são tesouros proporcionadores de frutos, purificadores do ar e abrigo para os animais.


Após sugestĆ£o de seu irmĆ£o mais velho, Wangari, ainda crianƧa, teve permissĆ£o para ir Ć  escola – o que nĆ£o era incentivado em seu povoado na Ć©poca, visto que as meninas, consideradas propriedades dos pais, deveriam ajudar suas mĆ£es em tarefas domĆ©sticas e sair de casa apenas para se casar, vivendo, posteriormente, em função do marido. Ao entrar na escola, logo alcanƧou o nĆ­vel das crianƧas de sua idade e, posteriormente, foi estudar em um colĆ©gio interno, onde as aulas eram dadas em inglĆŖs – idioma que teve de aprender. JĆ” no ensino mĆ©dio, Wangari mostrou-se uma excelente aluna, o que lhe rendeu a oportunidade de prosseguir sua formação superior nos Estados Unidos, concluindo um mestrado em Biologia na Universidade de Pittsburgh.


Quando retornou ao QuĆŖnia, obteve doutorado em anatomia veterinĆ”ria, tornando-se a primeira mulher no leste e centro-africano com tal tĆ­tulo e, tambĆ©m, a primeira a ocupar a diretoria do departamento de medicina veterinĆ”ria da Universidade de Nairóbi. Nesse retorno, ficou surpresa com os altos nĆ­veis de desmatamento em seu paĆ­s (promovidas, sobretudo, por prĆ”ticas agrĆ­colas) e a consequente escassez de recursos naturais no QuĆŖnia – principalmente de Ć”gua e alimentos.



Wangari Waathai. Fonte: Revista Galileu

  • ā€˜ā€™Green Belt Movementā€ - ou Movimento CinturĆ£o Verde


Ao longo de sua formação acadĆŖmica e de visitas a povoados regionais, Wangari pĆ“de relacionar os nĆ­veis de desmatamento do QuĆŖnia aos Ć­ndices de pobreza. E, ao pensar muito sobre, concluiu que a Ćŗnica saĆ­da viĆ”vel seria o plantio de Ć”rvores – criando, em 1977, o Movimento CinturĆ£o Verde, cujos objetivos eram: proteger os habitats da fauna nativa, recuperar Ć”reas degradadas, fazer com que a Ć”gua voltasse aos riachos e, ainda, estimular a emancipação das mulheres de seu paĆ­s.


Para que o plantio de milhares de Ôrvores ocorresse, a bióloga reuniu vÔrias mulheres, as quais, além de conseguirem que suas ações se tornassem um trabalho remunerado, começaram a ser ambientalmente educadas, entendendo a relevância do reflorestamento e a importância das Ôrvores.



Mulheres do Cinturão Verde. Fonte: ONU News

Nesse sentido, Wangari almejava que as mulheres fossem as principais encarregadas a fim de que, desse modo, fossem mais valorizadas e tivessem mais visibilidade rumo a reivindicação de seus direitos, pois, afinal, eram tratadas como seres inferiores e colocadas em posição de submissão aos homens. Entretanto, os progressos do Movimento desagradaram não apenas o então marido de Wangari (o qual pedira-lhe o divórcio), mas também o então presidente do Quênia, Daniel Toroitich arap Moi - contrÔrio aos direitos reivindicados pelas mulheres e às ações promovidas pelo Movimento Cinturão Verde.


Apesar de ter sido diversas vezes presa por contrariar os ideais do governo de Daniel arap Moi, Wangari continuou lutando pelo meio ambiente e pelo direito das mulheres e, em 1992, mais de 10 milhƵes de Ć”rvores jĆ” haviam sido plantadas, por meio do trabalho de 80 mil mulheres. Nesse tempo, sem respeito algum pelo trabalho das mulheres no Parque de Nairóbi, o presidente Daniel arap Moi planejou desmatar a Ć”rea para construir um arranha-cĆ©us. Entretanto, as mulheres resistiram plantando ainda mais Ć”rvores – o que, alĆ©m de mais uma prisĆ£o, rendeu a Wangari acuaƧƵes de traição ao Governo.


Porém, em tal contexto, o movimento iniciado pela bióloga jÔ era conhecido além das fronteiras do Quênia, gerando uma pressão internacional para que ela fosse solta. E, felizmente, os planos de construção do arranha-céus não prosseguiram.


  • O PrĆŖmio Nobel da Paz


Em 2002, após duas décadas, o governo Daniel Moi chegara ao fim. E, no governo sucessor, Wangari conseguiu trabalhar em seus projetos rumo à afirmação da democracia, criando o Mazingira (um partido político ambientalista); ela também conseguiu um cargo do Parlamento do Quênia (com 98% dos votos), fazendo com que fosse indicada, em 2003, a Ministra do Meio Ambiente de seu país.


Graças à sua trajetória, em 2004, Wangari recebeu um Prêmio Nobel da Paz, devido às suas contribuições ao desenvolvimento sustentÔvel, democracia e paz: o primeiro a ser recebido por uma mulher africana, o que ela celebrou promovendo o cultivo de mais Ôrvores. Cinco anos após o Prêmio, a ativista se tornou Mensageira da Paz nas Nações Unidas, a convite do então SecretÔrio-Geral Ban Ki-moon.


Nessa época, também participou do Conselho Diretor sobre Desarmamento, fez campanha dos embaixadores cidadãos e participou ativamente das iniciativas do Pnuma, cuja sede se situa em Nairóbi. E, antes de seu falecimento, em 2011, fazia parte do Conselho Diretor sobre as Metas do Milênio, uma agenda rumo ao combate dos males sociais até 2015. Sua história e seus trabalhos em prol do meio ambiente e das mulheres lançaram luz a vÔrios outros projetos ao redor do mundo.



Wangari Maathai em 2004, ao receber o Nobel da Paz. Fonte: Revista Galileu

"As atividades que devastam o ambiente e as sociedades continuam inabalĆ”veis. Hoje enfrentamos um desafio que exige uma mudanƧa no nosso pensamento, para que a humanidade deixe de ameaƧar o seu sistema de suporte Ć  vida. Somos chamados a ajudar a Terra a curar as suas feridas e, no processo, a curar as nossas próprias – na verdade, a abraƧar toda a criação em toda a sua diversidade, beleza e maravilha. Isto acontecerĆ” se percebermos a necessidade de reavivar o nosso sentimento de pertencimento a uma famĆ­lia maior de vida, com a qual partilhamos o nosso processo evolutivo." (Maathai, 2004).




REFERÊNCIAS:


GALILEU. Quem foi Wangari Muta Maathai, primeira mulher africana a receber o Nobel da Paz. 2019. DisponĆ­vel em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2019/09/quem-foi-wangari-muta-maathai-primeira-mulher-africana-receber-o-nobel-da-paz.html. Acesso em: 25 set. 2023.


G1. Daniel Arap Moi, que governou o Quênia por duas décadas, morre aos 95 anos. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/02/04/daniel-arap-moi-que-governou-o-quenia-por-duas-decadas-morre-aos-95-anos.ghtml. Acesso em: 25 set. 2023.


UFRGS. Wangari Muta Maathai (1940-2011). DisponĆ­vel em: https://www.ufrgs.br/africanas/wangari-muta-maathai-1940-2011/. Acesso em: 25 set. 2023.


NOBEL PRIZE. Nobel Lecture by Wangari Maathai. 2004. DisponĆ­vel em: https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/lecture/. Acesso em: 25 set. 2023.


ONU NEWS. Morre Wangari Maathai, vencedora do PrĆŖmio Nobel da Paz e ambientalista africana. 2011. DisponĆ­vel em: https://news.un.org/pt/story/2011/09/1386791. Acesso em: 25 set. 2023.






Sobre a autora: Bruna Luiza Carvalho Machado, técnica em Meio Ambiente pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e graduanda em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU); grande entusiasta das questões ambientais, sobretudo gestão ambiental e ecologia, com uma especial inclinação à micologia.


Contato: bruna.minasbio@gmail.com





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