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Bycatch: como a pesca de arrasto afeta o ambiente marinho

As redes pesqueiras utilizadas na pesca de arrasto são eficientes no que diz respeito à captura de animais, no entanto possuem baixa seletividade. À vista disso, criou-se o termo denominado de “bycatch”, para caracterizar as capturas que não são utilizadas ou não são gerenciadas. Estima-se que 40% de toda pesca é bycatch, ou seja, diversos animais como: baleias, golfinhos, focas, tartarugas, raias, tubarões, aves marinhas, peixes e invertebrados são capturados acidentalmente, de modo que são caracterizadas como organismos não-alvo. Em alguns casos o bycatch pode ser utilizado, todavia o que mais ocorre é o descarte desses animais, em que são lançados de volta ao mar, muitas vezes já sem vida. Outro dado alarmante é que para cada 1kg de camarão, 21kg de outros animais são jogados fora.


Fonte: Fishtek Marine

Os artefatos de pesca como: redes, armadilhas e linhas com anzóis, além dos impactos causados à fauna marinha no momento da captura, podem fazer mais vítimas mesmo de maneira inativa, condição conhecida como “pesca fantasma”. Tais materiais pesqueiros são comumente abandonados ou perdidos e ficam à deriva ou presos, de modo que continuam a capturar organismos marinhos.


Fonte: Mar Sem Fim

Outra problemática associada às redes de pesca é referente à sua composição. Embora copos, canudos e garrafas de plástico estejam presentes em larga escala nos oceanos devido ao descarte incorreto, as redes de pesca possuem um índice ainda maior. Estima-se que 46% do total do plástico nos oceanos são provenientes do comércio pesqueiro. Esse composto se degrada em partes cada vez menores, dando origem ao microplástico que, além de danos físicos, também são tóxicos aos seres vivos. Isso ocorre porque esse material absorve metais pesados e, devido ao seu tamanho muito reduzido, entram na cadeia alimentar dos animais, de modo que afeta toda a fauna aquática.


Fonte: WWF Brasil

Dentre os grupos de animais mais ameaçados, destacam-se os cetáceos (baleias, golfinhos e botos) e os elasmobrânquios (tubarões e raias). Uma característica que se destaca entre esses animais é a baixa produtividade reprodutiva. Assim sendo, ações que reduzam significativamente a quantidade de animais desses grupos, como o bycatch, é demasiadamente preocupante, pois as populações demoram a se recuperar dos declínios, mesmo em condições ambientais consideradas propícias. Portanto, nota-se que caso a pesca de arrasto não tenha leis mais incisivas, com cada vez mais estratégias para não ter o bycatch, as espécies correm risco de serem extintas.


  • Métodos desenvolvidos para a redução do bycatch


Embora não sejam utilizados em larga escala, cientistas já desenvolveram alguns métodos eficazes para a redução do bycatch. Um deles são as redes iluminadas com luz de LED verde, que inicialmente foram desenvolvidas para mitigar a captura acidental de tartarugas marinhas, devido à capacidade desses animais em enxergarem o comprimento de onda. Essa tecnologia é promissora, que já tem demonstrado resultados significativos até mesmo para outros grupos de animais, como os elasmobrânquios.


Fonte: Conexão Planeta

Além disso, há também a utilização de pingers, que são pequenos dispositivos com bateria que emanam um som de alta frequência. Essa técnica tem resultados mais consideráveis nos cetáceos, por conta da grande habilidade auditiva desses animais. Para mais, outra técnica eficiente para diminuir a captura de fauna acompanhante é a utilização de grades com diferentes medidas, que evitam a passagem de animais maiores.


Fonte: Marine Stewardship Council

Destarte, os consumidores têm papel importante ao decidir comprar alimentos de empresas comprometidas com a pesca responsável. Além desse fator, escolher espécies que não estão ameaçadas também é uma responsabilidade de todos para evitar um cenário de extinção.




REFERÊNCIAS:




Hamilton, S. Baker, GB. Mitigação técnica para reduzir a captura acidental de mamíferos marinhos e emaranhamento em equipamentos de pesca comercial: lições aprendidas e direções futuras. Rev Fish Biol Fisheries 29, 223–247 (2019). Disponível em: <https://doi.org/10.1007/s11160-019-09550-6>.


Jesse F. Senko, S. Hoyt Peckham, Daniel Aguilar-Ramirez, John H. Wang. A iluminação da rede reduz as capturas acessórias da pesca, mantém o valor da captura e aumenta a eficiência operacional. Current Biology. Volume 32, Issue 4, Pages 911-918.e2 (2022). Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982221017371#bib5>.


PIRES, Sabrina. “Jogamos fora 40% do que é pescado no mundo”, alertam cientistas sobre pesca acidental ou ‘bycatch’. Conexão Planeta, 2022. Disponível em: <https://conexaoplaneta.com.br/blog/jogamosfora-40-do-que-e-pescado-no-mundo-alertam-cientistas-sobre-pesca-acidental-ou bycatch/#fechar>.


R.W.D. Davies, S.J. Cripps, A. Nickson, G. Porter. Definindo e estimando as capturas acessórias da pesca marinha global. Política Marinha. Volume 33, Issue 4, Pages 661-672 (2009). Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308597X09000050?casa_token=2TLZz_VsgQcAAAAA:qLVzHXJPkdtaMYiCvlOUTqYyF84_8ZmPeC6hM7soCLBkUHMq_JFrZXa9ZsplihU70XxSYewKLk>.





 


Sobre a autora: Larissa Carla de Almeida Freitas - graduanda em Ciências Biológicas/Licenciatura - UFU. Gosta de ensinar, é apaixonada pela natureza e por hábitos sustentáveis.





 

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