Anta - O Que VocĂȘ Sabe Sobre A Jardineira Das Florestas?
- minasbioconsultoria
- 1 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
VocĂȘ jĂĄ viu uma anta? Gosta desse animal? Por que a anta nĂŁo aparece nos filmes? Por que nĂŁo ouvimos falar tanto dela? JĂĄ que precisamos conhecer para poder preservar, apresento a vocĂȘs a querida anta, que de anta sĂł tem o nome!

Esse animal que poucas pessoas conhecem e muito menos viram por aĂ, representa com maestria a grande biodiversidade de nosso paĂs. A anta Ă© simplesmente o maior mamĂfero da AmĂ©rica do Sul, podendo atingir nada mais nada menos, que 300 kg, distribuĂdos por atĂ© 2 metros de comprimento.
Ă um indivĂduo muito bem sucedido no meio animal, por sinal, jĂĄ que Ă© um dos mais antigos do planeta. No Brasil, a espĂ©cie Tapirus terrestrisela, jĂĄ apresentou populaçÔes significativas em quase todos os biomas, uma realidade bem diferente do que vemos hoje.
A anta atualmente vive no Pantanal e na Floresta AmazÎnica. Jå na Mata Atlùntica e no Cerrado, ela infelizmente se encontra quase extinta. A espécie sofre grandes riscos devido a destruição de seu habitat natural, pois necessita de longas extensÔes territoriais para viver, assim como limitaçÔes alimentares, visto que a grande quantidade de agrotóxicos tem prejudicado seu modo de vida.
Dentro disso, sabemos que a caça realizada pelos prĂłprios humanos torna ainda mais difĂcil a preservação da espĂ©cie, alĂ©m de que muitos deles ainda tĂȘm preconceitos relacionados ao animal, como achar que eles transmitem doenças ao gado e que sĂŁo âburrosâ, superstiçÔes que jĂĄ foram desmistificadas pela ciĂȘncia, comprovando que alĂ©m de nĂŁo apresentarem riscos a outros animais, elas sĂŁo muito inteligentes.
JĂĄ viu um bebĂȘ anta? Te apresento agora, Ă© a coisa mais fofa! Quando nascem, os filhotes apresentam listras e pintinhas pelo corpo que facilitam sua camuflagem.

A espĂ©cie costuma andar sozinha e nĂŁo em bandos, por isso as fĂȘmeas e machos se encontram somente para acasalar. A gestação desses animais Ă© bem longa, podendo durar atĂ© 13 meses, alĂ©m do cuidado parental, onde as fĂȘmeas acompanham seus filhotes por mais de um ano inteiro. Dentro desses perĂodos, essa fĂȘmea nĂŁo se reproduzirĂĄ novamente, com isso, podemos perceber que a reprodução se torna demorada e complexa para a espĂ©cie, exigindo grande investimento energĂ©tico, o que dificulta ainda mais sua conservação.
O que vocĂȘ acha que as antas comem? Elas sĂŁo herbĂvoras e, pelo tamanho que podem atingir, jĂĄ dĂĄ pra imaginar que elas precisam de muitos recursos alimentares. Sendo assim, sua alimentação Ă© bem diversa, incluindo frutos como goiaba, pequi e o jatobĂĄ, que ela pega caĂdos ao chĂŁo, assim como aqueles nĂŁo comerciais e bem regionais, como araticum-cagĂŁo, marolo, cumbaru, figo e a mangava, alĂ©m de diversos coquinhos. Muitas frutas carnosas e com caroços enormes, que somente a anta consegue engolir, e Ă© aĂ que entra seu apelido de jardineira das florestas.

Devido a diversas caracterĂsticas, a anta Ă© uma das Ășnicas espĂ©cies que consegue dispersar diversas sementes nativas e, por caminhar longas distĂąncias, isso torna ainda mais eficaz esse trabalho tĂŁo incrĂvel e biodiverso que elas trazem para os locais onde habitam, colaborando de forma significativa para a renovação natural das florestas. AlĂ©m disso, a anta Ă© conhecida como uma espĂ©cie guarda-chuva, isso significa que disseminar sua preservação protege e beneficia diversas outras espĂ©cies.
Para quem jå teve essa curiosidade, a anta não é parente dos elefantes, ela estå mais próxima dos rinocerontes e dos cavalos. Outra curiosidade é que as antas são ótimas nadadoras, atravessam rios e podem até mesmo mergulhar para fugir de predadores, por isso gostam bastante de locais com presença de ågua.

Agora que vocĂȘ jĂĄ conhece a anta, deixarei aqui um dos principais projetos que visa a preservação desse animal, para que vocĂȘ possa saber mais e apoiar. Dentro do Projeto IPĂ â Instituto de Pesquisas EcolĂłgicas, existe a INCAB â Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, conduzida por PatrĂcia Medici, a maior especialista do mundo em antas. E nĂŁo se esqueça, dia 27 de abril Ă© dia mundial das antas!
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REFERĂNCIAS
MEDICI, PatrĂcia; JOHN, Liana. Minha Amiga Ă© uma Anta. SZB - Sociedade de ZoolĂłgicos e AquĂĄrios do Brasil, [S. l.], p. 1-7, 5 ago. 2013.
CILLANI, Cibele. ImportĂąncia da Anta na dispersĂŁo de sementes. Explica Anta!, [s. l.], 19 fev. 2021. DisponĂvel em: https://www.protapir.org/post/import%C3%A2ncia-da-anta-na-dispers%C3%A3o-de-sementes. Acesso em: 30 maio 2022.
MEDICI, PatrĂcia et al. Avaliação do Risco de Extinção da Anta brasileira Tapirus terrestris Linnaeus, 1758, no Brasil. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, [S. l.], ano II, n. 3, p. 103 a 116, 2012. DisponĂvel em: https://revistaeletronica.icmbio.gov.br/BioBR/article/view/243/144. Acesso em: 30 maio 2022.

Sobre a autora: Gabriella Louli Soares, Graduanda em CiĂȘncias BiolĂłgicas/Bacharelado - UFU. Gosta de estar em contato com a natureza e estar com seus amigos.
Contato: louligabriella@gmail.com
