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Variantes do Coronavírus

A pandemia causada pelo coronavírus - Sars-CoV-2 - proporcionou grande devastação mundial e trouxe danos irreparáveis. Apenas no Brasil, já foram registrados, até o mês de agosto de 2021, mais de 20 milhões de casos e mais de 575 mil mortes pelo coronavírus. (CORONAVÍRUS BRASIL, 2021)


Uma das grandes preocupações atuais a respeito da doença tem sido em relação à taxa de mutação do vírus e o surgimento de diversas variantes consideradas de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois aumentam a gravidade e a transmissibilidade da doença e podem ser resistentes a anticorpos presentes naqueles que foram infectados. Dessa forma, entender os mecanismos de funcionamento dessas variantes pode auxiliar na elaboração de estratégias para controlar o problema. (CAI et al, 2021)

Fonte da imagem: Pixabay

O Sars-CoV-2 é um vírus de RNA de fita positiva com envelope e, para infectar uma célula-hospedeira, ele depende da fusão das membranas virais e das células-alvo. (CAI et al, 2021). As mutações do vírus surgem como um subproduto natural da replicação viral. (LAURING, 2021). Os vírus de RNA geralmente possuem taxas de mutações mais altas que os vírus de DNA, porém, o coronavírus é uma exceção entre eles por ter uma taxa de replicação menor do que a maioria dos vírus de RNA, isso se deve ao fato dele codificar uma enzima que corrige algum dos erros cometidos durante a replicação. (LAURING, 2021)


As mutações que prevalecem são as que proporcionam vantagens competitivas com relação à replicação viral, a transmissibilidade e ao escape da imunidade. (LAURING, 2021)



Mutação, variante e cepa:


Para auxiliar na compreensão, é importante diferenciarmos os termos mutação, variante e cepa. Mutação significa a mudança real na sequência genética do vírus. Os genomas que diferem na sequência são chamados de variante, sendo que duas variantes podem diferir por uma ou mais mutações, e uma variante é considerada uma cepa quando apresenta um fenótipo comprovadamente diferente, por exemplo, quando apresenta uma diferença na transmissibilidade. (LAURING, 2021)


Variantes de preocupação do Sars-CoV-2:


Atualmente, segundo a OMS, existem quatro variantes de preocupação, a Alfa, Beta, Gama e Delta. A OMS resolveu referir-se a elas utilizando letras do alfabeto grego para facilitar a identificação e evitar associações errôneas aos países de origem de cada uma delas. (PINHEIRO,2021; BBC NEWS Brasil, 2021)

  • Alfa:

Antes denominada como B.1.1.7, foi inicialmente encontrada no Reino Unido em setembro de 2020 e possui uma taxa de transmissibilidade entre 30% e 50% maior do que as linhagens anteriores do Sars-CoV-2. Além disso, essa variante foi responsável pela segunda onda da pandemia no Reino Unido, parte da Europa e Estados Unidos. (PINHEIRO,2021).

  • Beta:

Antes denominada como B.1.351, foi encontrada pela primeira vez na África do Sul em dezembro de 2020. É mais transmissível que as primeiras linhagens do Sars-CoV-2, porém, não tanto quanto a variante Alfa, a maior preocupação em relação a ela é em relação ao escape da resposta imune, o que possibilita reinfecção e pode prejudicar a ação das vacinas. Essa variante atingiu o Brasil, Estados Unidos, Canadá e outros 58 países. (PINHEIRO,2021).

  • Gama:

Antes denominada com P.1, foi encontrada inicialmente no Amazonas, aqui no Brasil, no final de 2020. Possui mutações semelhantes a da variante Beta, é mais transmissível que as primeiras linhagens do Sars-CoV-2 e possui uma taxa de contágio (isso é, quantas pessoas um indivíduo contaminado pode infectar) semelhante a da variável Alfa, entre 1,6 e 1,4. Sendo que as primeiras linhagens do Sars-CoV-2 possuía cerca de 0,8 dessa mesma taxa. Além disso, essa variante possui escape imunológico das demais linhagens do vírus, o que possibilita a reinfecção e estudos recentes buscam entender sua relação com o aumento da severidade da doença nos pacientes infectados. Calcula-se que ela seja responsável por nove em cada dez casos da doença no Brasil. (PINHEIRO,2021).

  • Delta:

Antes denominada como B.1.617.2, foi encontrada inicialmente na Índia em outubro de 2020 e classificada como variante de preocupação em em maio deste ano. Estima-se que sua taxa de transmissão seja de 40 a 60% maior que a taxa de transmissão da variante alfa, sendo considerada a variante mais transmissível, até o momento.(PINHEIRO,2021; BBC NEWS Brasil, 2021)


Essa variante causou uma devastadora segunda onda da pandemia na Índia, se tornou dominante no Reino Unido e já foi identificada em mais de 90 países, inclusive no Brasil, causando surtos nos Estados Unidos, China, África, Escandinávia e na região do Pacifico. (BBC NEWS Brasil, 2021)


Além disso, os sintomas mais relatados por infectados com essa variante são: dor de cabeça, dor de garganta e coriza. O que difere dos sintomas clássicos da covid-10 (tosse persistente, febre, perda de olfato ou paladar). Estudos mostram que, no Reino Unido, pessoas não vacinadas infectadas pela variante Delta têm duas vezes mais probabilidade de serem hospitalizadas do que as contaminadas pela variante Alfa. (BBC NEWS Brasil, 2021)


" A Delta é considerada mais contagiosa que a cepa original do vírus e outras variantes. "


Estudos mostram que, até o momento, as vacinas disponíveis contra o coronavírus funcionam contra as variantes listadas.Porém, em comparação com a cepa original do coronavírus, sua eficácia é reduzida contra as variantes de preocupação, principalmente após apenas a primeira dose. (BBC NEWS Brasil, 2021)


Sendo assim, é de extrema importância a vacinação completa (com as duas doses ou dose única) de toda a população e a prevalência de medidas de prevenção do coronavírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras, para evitar a disseminação das variantes já existentes e o surgimento de novas variantes.


Além disso, em momentos como o que estamos vivendo, é de grande relevância entendermos o papel da ciência na luta contra o coronavírus, combater o negacionismo científico e a disseminação de fake news.


Para saber mais sobre vacinas acesse o texto “Uma breve história sobre a vacinação no Brasil”.



REFERÊNCIAS:


PAINEL Coronavírus. Coronavírus Brasil, 2021. Disponível em: <https://covid.saude.gov.br/>. Acesso em: 24 de agosto de 2021.


CAI, Yongfei; ZHANG, Jun; XIAO, Tianshu; LAVINE, Christy L.; RAWSON, Shaun; PENG, Hanqin; ZHU, Haisun; ANAND, Krishna; TONG, Pei; GAUTAM, Avneesh. Structural basis for enhanced infectivity and immune evasion of SARS-CoV-2 variants. Science, [S.L.], v. 373, n. 6555, p. 642-648, 24 jun. 2021. American Association for the Advancement of Science (AAAS). http://dx.doi.org/10.1126/science.abi9745.


Lauring AS, Hodcroft EB. Variantes genéticas do SARS-CoV-2 - o que significam? JAMA. 2021; 325 (6): 529–531. doi: 10.1001 / jama.2020.27124


PINHEIRO, Chloé. Variantes do coronavírus: quem são e como se comportam. Veja Saúde. [S.L.], 10 de junho de 2021. Disponível em: <https://saude.abril.com.br/medicina/variantes-do-coronavirus-quem-sao-e-como-se-comportam/>. Acesso em: 23 de agosto de 2021.


DELTA, Gama, Beta: quais são as principais variantes da covid e quanta proteção as vacinas oferecem?. BBC NEWS Brasil, [S.L.], 02 de julho de 2021. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-57695556>. Acesso em: 23 de agosto de 2021.



Sobre a autora: Maria Cecília Porto Novais, graduanda em Ciências Biológicas/Licenciatura-UFU.

Contato: mceciliapnovais@gmail.com @ceciliapnovais









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