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Polinização Por Vibração

Quando falamos sobre polinização, especialmente aquela realizada por abelhas, muitas vezes a primeira imagem que vem à mente é a da conhecida Apis mellifera, com suas listras pretas e amarelas. No entanto, será que este é o único tipo existente? De modo algum. As abelhas formam um grupo extremamente diversificado em cor, tamanho, forma, modo de vida e até mesmo no processo de polinização.


Fonte: A.B.E.L.H.A

A polinização é definida como a transferência de grãos de pólen das anteras de uma flor para o estigma, seja ele da mesma flor ou de outra flor da mesma espécie. As abelhas são os principais agentes desse processo. Enquanto buscam recursos florais durante seu forrageamento, esses polinizadores realizam a transferência de pólen.


Uma das formas de polinização é a Polinização por vibração (Buzz Pollination), na qual a abelha pousa na flor e enrola o lado ventral de seu corpo ao redor das anteras, enquanto agarra sua base com as mandíbulas e faz movimentos vibratórios, os quais geram um som audível. Essas vibrações ressoam nas anteras, fazendo com que os grãos de pólen ganhem energia e sejam expelido pelos poros apicais.


Fonte: wikipedia

As plantas polinizadas por Buzz Pollination compartilham uma característica em comum: suas anteras são poricidas, abrindo-se apenas nos ápices, o que permite que o pólen escape através dessas aberturas ou poros apicais. Estima-se que mais de 20.000 espécies de angiospermas, distribuídas em mais de 70 famílias, apresentam flores com anteras poricidas.


Essa especificidade das anteras torna essas plantas dependentes da polinização por vibração, pois as vibrações são transmitidas para as estruturas florais, provocando a liberação dos grãos de pólen, geralmente pequenos e secos, para a superfície abdominal e/ou torácica da abelha.


Fonte: wikipedia

Assim, a proteção do pólen, a seleção de visitantes e a promoção de uma polinização mais precisa, depositando o pólen de forma eficaz no corpo do visitante, funcionariam como vantagens adaptativas fundamentais para garantir o sucesso reprodutivo das plantas.


Em 1985, Buchmann propôs que o comportamento de vibração em abelhas poderia ter tido originalmente a função de termorregulação, como observado em diversos grupos de insetos contemporâneos. Porém, ao longo do processo evolutivo, essa função teria sido modificada, levando as abelhas a utilizarem a vibração para interagir com as flores. Dessa forma, com a vantagem de coletar mais pólen por meio da vibração em comparação com a manipulação das anteras, o comportamento de coleta através de vibração teria sido adotado por alguns táxons de abelhas. 


A polinização por vibração é observada em sete famílias e mais de cinquenta gêneros de abelhas, incluindo exemplos como Xylocopa, Bombus e Centris, que são abelhas consideradas grandes. Esse processo ocorre da seguinte maneira: as abelhas pousam sobre as anteras da flor, envolvendo-se ao redor ou no ápice do cone de anteras, e seguram firmemente os estames. Ao contraírem os músculos torácicos, as vibrações são transmitidas para as anteras através do tórax e das pernas, causando ressonância dentro delas e resultando na liberação do pólen. Após a visita, é comum as anteras apresentarem marcas em sua superfície, provocadas pelas garras das pernas das abelhas enquanto se seguram para vibrar. Além disso, algumas abelhas permanecem agarradas às flores, utilizando suas pernas e/ou mandíbulas para limpar o pólen do corpo e armazená-lo em estruturas especializadas, como escopas ou corbículas, dependendo da espécie de abelha.


Fonte: Laboratório Vallejo-Marin

Atualmente as abelhas que realizam a polinização por vibração estão enfrentando sérios riscos devido ao acelerado aquecimento global, sendo animais particularmente sensíveis a essas mudanças. Essa situação é extremamente preocupante, pois a maioria das flores com anteras poricidas depende exclusivamente desse tipo de polinização, incluindo plantas de grande valor comercial, como o maracujá e o tomate. É essencial que medidas sejam tomadas para proteger esses polinizadores e garantir a preservação da biodiversidade e da segurança alimentar.




Referências:


MICHENER, CD (1962). Um método interessante de coleta de pólen por abelhas em flores com anteras tubulares. Revista De Biologia Tropical , 10 (2), 167–175. https://doi.org/10.15517/rev.biol.trop.1962.31044


LOPES, Reinaldo José, Mudança climática ameaça insetos que polinizam lavouras como café e cacau. 2023. Disponível em: https://www.brasilagro.com.br/conteudo/mudanca-climatica-ameaca-insetos-que-polinizam-lavouras-como-cafe-e-cacau.html Acesso em: 11 de Mar. de 2024.


De Luca, Paul A. e Mario Vallejo-Marín. "Qual é o 'buzz'? A ecologia e o significado evolutivo da polinização por buzz." Opinião atual em biologia vegetal 16.4 (2013): 429-435. 


Cooper, Paul D., William M. Schaffer e Stephen L. Buchmann. "Regulação da temperatura das abelhas melíferas (Apis mellifera) em busca de alimento no deserto de Sonora." Jornal de Biologia Experimental 114.1 (1985): 1-15.

Silva, Patrícia Nunes, Michael Hrncir, and Vera Lúcia Imperatriz Fonseca. "A polinização por vibração." Oecologia Australis 14.1 (2010): 140-151.


Rech, André Rodrigo, et al., eds. Biologia da polinização. Rio de Janeiro: Projecto Cultural, 2014.





 

Sobre a autora: Jordanny Luiza Sousa Santos. Graduanda em Ciências Biológicas/Bacharelado e Licenciatura - UFU. Apaixonada pela biologia e todas as formas de vida.





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