Pesca de Arrasto
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A pesca de arrasto é um método de pesca que envolve puxar uma rede através da água atrás de um ou mais barcos. O método utiliza redes em forma de saco que são lançadas na água para capturar diferentes espécies de peixes.
Os barcos utilizados para a pesca de arrasto são chamados de arrastões ou traineiras. Eles podem variar em tamanho, desde pequenos barcos abertos com motores de até 30 hp (22 kW) até grandes barcos-fábrica com mais de 10.000 hp (7,5 MW). A pesca de arrasto pode ser realizada por um único arrastão ou por dois arrastões em pesca cooperativa.

A pesca de arrasto é realizada pela indústria pesqueira em todo o mundo. Ela está associada a impactos ambientais relevantes, como a captura de grandes quantidades de espécies não visadas — chamadas coletivamente de capturas acessórias (bycatch) —, além da destruição de leitos de águas rasas. Esse método também provoca consequências de longo prazo no fundo do oceano e além.
A pesca de arrasto surgiu no início do século XIV e se tornou comum nas áreas costeiras do mundo após sua comercialização. O arrasto pode ser dividido em arrasto de fundo e arrasto de meia-água, dependendo da altura em que a rede é operada na coluna d’água.
O arrasto de fundo é a técnica mais problemática em termos de impactos ambientais. Ele consiste em puxar uma grande rede pesada diretamente sobre o leito marinho, varrendo tudo que encontra pelo caminho. Essa técnica, utilizada pela pesca industrial, pode empregar um ou dois barcos e permanece em contato direto com o fundo do mar, capturando espécies demersais, como:
camarões,
linguados,
merluzas,
robalos,
peixes-remo.

TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.
Os impactos ambientais incluem a destruição de habitats, rompendo e quebrando corais, esponjas, leitos de algas e pradarias de fanerógamas marinhas. Pode destruir estruturas que levaram décadas ou séculos para se formar.
A captura incidental também é muito alta. Uma grande quantidade de espécies não alvo é capturada, incluindo:
peixes juvenis,
tartarugas,
raias,
pequenos tubarões.
Em especial, o arrasto de camarão pode descartar até 80% da captura. O método também contribui para a redução dos estoques pesqueiros, pois, por ser extremamente eficiente, retira grandes volumes e acelera a sobrepesca.
Outro impacto comum é o revolvimento do sedimento, que:
aumenta a turbidez da água;
libera carbono armazenado no fundo marinho;
pode afetar ciclos ecológicos locais.
No Brasil, o arrasto de fundo é muito utilizado para a pesca de camarão nas regiões Sul e Sudeste.

O arrasto de meia-água (arrasto pelágico) é um método em que a rede é arrastada na coluna d’água, acima do fundo marinho. Diferente do arrasto de fundo, ela não toca o leito do mar, o que reduz o impacto físico sobre os habitats. Essa técnica é usada para capturar espécies que vivem em cardumes e que não ficam no fundo, como:
sardinha,
cavala,
atum-bonito,
anchova.
O método apresenta menor impacto físico no ambiente, por não raspar o fundo nem destruir corais. Também gera menor turbidez, mantendo a água mais limpa, e tende a ser mais seletivo do que o arrasto de fundo.
Apesar de ser menos destrutivo, o arrasto de meia-água ainda apresenta problemas, como:
captura incidental, podendo afetar golfinhos, tartarugas e tubarões, dependendo da região e da espécie-alvo;
pressão sobre cardumes, já que, por ser altamente eficiente, pode reduzir rapidamente os estoques quando não há controle adequado.
No Brasil, o arrasto pelágico é menos comum, mas ocorre em áreas com grandes cardumes no litoral Sudeste e Sul (sardinhas e anchovas) e em algumas regiões do Nordeste (diversos peixes pelágicos).
Referências:
1. Sites / Textos
WIKIPEDIA. Pesca de arrasto. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca_de_arrasto. Acesso em: 28 nov. 2025.
MONGABAY BRASIL. Pesca de arrasto: o destrutivo método de pescaria está transformando os leitos dos oceanos em desertos. 2014. Disponível em: https://brasil.mongabay.com/2014/07/pesca-de-arrasto-o-destrutivo-metodo-de-pescaria-esta-transformando-os-leitos-dos-oceanos-em-desertos/. Acesso em: 28 nov. 2025.
MSC – Marine Stewardship Council. Arrasto de fundo ou demersal. Disponível em: https://www.msc.org/pt/metodos-e-artes-de-pesca/arrasto-de-fundo-ou-demersal. Acesso em: 28 nov. 2025.

Sobre a autora: Monyque Tavares, comercial - MinasBio Consultoria Ambiental, ciências Biológicas - Universidade Federal de Uberlândia
Contato: monyquetavares.minasbio@gmail.com.







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