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Pesca de Arrasto

  • Foto do escritor: minasbioconsultoria
    minasbioconsultoria
  • há 12 minutos
  • 3 min de leitura

A pesca de arrasto é um método de pesca que envolve puxar uma rede através da água atrás de um ou mais barcos. O método utiliza redes em forma de saco que são lançadas na água para capturar diferentes espécies de peixes.


Os barcos utilizados para a pesca de arrasto são chamados de arrastões ou traineiras. Eles podem variar em tamanho, desde pequenos barcos abertos com motores de até 30 hp (22 kW) até grandes barcos-fábrica com mais de 10.000 hp (7,5 MW). A pesca de arrasto pode ser realizada por um único arrastão ou por dois arrastões em pesca cooperativa.


TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.
TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.

A pesca de arrasto é realizada pela indústria pesqueira em todo o mundo. Ela está associada a impactos ambientais relevantes, como a captura de grandes quantidades de espécies não visadas — chamadas coletivamente de capturas acessórias (bycatch) —, além da destruição de leitos de águas rasas. Esse método também provoca consequências de longo prazo no fundo do oceano e além.


A pesca de arrasto surgiu no início do século XIV e se tornou comum nas áreas costeiras do mundo após sua comercialização. O arrasto pode ser dividido em arrasto de fundo e arrasto de meia-água, dependendo da altura em que a rede é operada na coluna d’água.


O arrasto de fundo é a técnica mais problemática em termos de impactos ambientais. Ele consiste em puxar uma grande rede pesada diretamente sobre o leito marinho, varrendo tudo que encontra pelo caminho. Essa técnica, utilizada pela pesca industrial, pode empregar um ou dois barcos e permanece em contato direto com o fundo do mar, capturando espécies demersais, como:

  • camarões,

  • linguados,

  • merluzas,

  • robalos,

  • peixes-remo.


    TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.
    TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.

Os impactos ambientais incluem a destruição de habitats, rompendo e quebrando corais, esponjas, leitos de algas e pradarias de fanerógamas marinhas. Pode destruir estruturas que levaram décadas ou séculos para se formar.


A captura incidental também é muito alta. Uma grande quantidade de espécies não alvo é capturada, incluindo:

  • peixes juvenis,

  • tartarugas,

  • raias,

  • pequenos tubarões.


Em especial, o arrasto de camarão pode descartar até 80% da captura. O método também contribui para a redução dos estoques pesqueiros, pois, por ser extremamente eficiente, retira grandes volumes e acelera a sobrepesca.


Outro impacto comum é o revolvimento do sedimento, que:

  • aumenta a turbidez da água;

  • libera carbono armazenado no fundo marinho;

  • pode afetar ciclos ecológicos locais.


No Brasil, o arrasto de fundo é muito utilizado para a pesca de camarão nas regiões Sul e Sudeste.


TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.
TAVARES, Monyque. Fotografias de pesca na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Acervo pessoal, 2025.

O arrasto de meia-água (arrasto pelágico) é um método em que a rede é arrastada na coluna d’água, acima do fundo marinho. Diferente do arrasto de fundo, ela não toca o leito do mar, o que reduz o impacto físico sobre os habitats. Essa técnica é usada para capturar espécies que vivem em cardumes e que não ficam no fundo, como:

  • sardinha,

  • cavala,

  • atum-bonito,

  • anchova.


O método apresenta menor impacto físico no ambiente, por não raspar o fundo nem destruir corais. Também gera menor turbidez, mantendo a água mais limpa, e tende a ser mais seletivo do que o arrasto de fundo.


Apesar de ser menos destrutivo, o arrasto de meia-água ainda apresenta problemas, como:

  • captura incidental, podendo afetar golfinhos, tartarugas e tubarões, dependendo da região e da espécie-alvo;

  • pressão sobre cardumes, já que, por ser altamente eficiente, pode reduzir rapidamente os estoques quando não há controle adequado.


No Brasil, o arrasto pelágico é menos comum, mas ocorre em áreas com grandes cardumes no litoral Sudeste e Sul (sardinhas e anchovas) e em algumas regiões do Nordeste (diversos peixes pelágicos).





Referências:


1. Sites / Textos

WIKIPEDIA. Pesca de arrasto. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca_de_arrasto. Acesso em: 28 nov. 2025.


MONGABAY BRASIL. Pesca de arrasto: o destrutivo método de pescaria está transformando os leitos dos oceanos em desertos. 2014. Disponível em: https://brasil.mongabay.com/2014/07/pesca-de-arrasto-o-destrutivo-metodo-de-pescaria-esta-transformando-os-leitos-dos-oceanos-em-desertos/. Acesso em: 28 nov. 2025.


MSC – Marine Stewardship Council. Arrasto de fundo ou demersal. Disponível em: https://www.msc.org/pt/metodos-e-artes-de-pesca/arrasto-de-fundo-ou-demersal. Acesso em: 28 nov. 2025.







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Sobre a autora: Monyque Tavares, comercial - MinasBio Consultoria Ambiental, ciências Biológicas - Universidade Federal de Uberlândia 



 
 
 

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