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Como Identificar Invertebrados Transmissores da Doença de Chagas

A doença de chagas é ocasionada pela reação inflamatória e imunológica à presença dos protozoários da espécie Trypanossoma cruzi na circulação e tecidos humanos, os quais entram no organismo do hospedeiro vertebrado por meio das mucosas ou através de uma abertura ocasionada pelo aparelho bucal de invertebrados do grupo dos hemípteros hematófagos, popularmente conhecidos como “barbeiros”, e a adjacente deposição de fezes contaminadas.


É importante ressaltar que existem diferentes espécies e tipos de barbeiros, podendo classificá-los basicamente três grupos: 1) barbeiros fitófagos, os quais se alimentam de seiva de plantas e apresentam aparelho bucal reto que ultrapassa o primeiro par de patas; 2) barbeiros predadores, os quais se alimentam de outros invertebrados e apresentam aparelho bucal curto e curvado; 3) barbeiros hematófagos (transmissores do protozoário Trypanossoma cruzi), os quais se alimentam de sangue de animais vertebrados e apresentam aparelho bucal reto que não ultrapassa o primeiro par de patas.


Tipos de barbeiros
Fonte: https://www.dedetizacao-consulte.com.br/percevejos-habitat.asp

Por sua vez, as espécies hematófagas de barbeiro podem ser subdivididas entre três gêneros relevantes à transmissão de chagas: a) Panstrongylus, cujas antenas se localizam perto dos olhos; b) Rhodnius, com as antenas inseridas na ponta da cabeça; c) Triatoma, caracterizados por possuírem antenas inseridas numa posição média entre a ponta da cabeça e os olhos. Dentre tais gêneros, Panstrogylus recebe destaque, pois é um transmissor ágil e adaptado a morar em frestas de casas de barro.


Tipos de barbeiros hematófagos
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Diferenciacao-dos-generos-Panstrongylus-Rhodnius-e-Triatoma-A-Panstrongylus-as_fig9_265335604

No inseto transmissor (ou hospedeiro invertebrado), o parasito Trypanossoma cruzi pode ser encontrado em três formas evolutivas bem definidas. A forma tripomastigota (com cinetoplasto oposto ao flagelo, o qual percorre todo o corpo do protozoário, formando uma membrana ondulante) é encontrada tanto no sangue humano quanto no intestino do inseto. Neste, essa forma evolutiva se transforma e evolui para epimastigota (cujo cinetoplasto se localiza próximo ao núcleo da célula) e, posteriormente, em tripomastigota metacíclica, a qual se caracteriza como forma infecciosa, pois é liberada nas fezes do inseto e pode adentrar a circulação humana.


Ao entrar na circulação humana e invadir tecidos, o protozoário evolui para a forma amastigota, sem flagelo aparente, a qual eventualmente se transforma em tripomastigota para ser liberada no sangue novamente, após formar ninhos (aglomerados) no interior dos tecidos. Quando a forma tripomastigota migra na circulação, infectando outros tecidos e produzindo mais ninhos como amastigota, mais lesões são causadas nos órgãos humanos.


Um exemplo de órgão afetado pelos ninhos de amastigotas no interior de seus tecidos é o coração, pois ao haver uma reação do organismo à presença desses ninhos, os tecidos musculares são destruídos e substituídos por tecidos conjuntivos. Como o tecido conjuntivo não possui fibras, os tecidos musculares remanescentes ficam sobrecarregados, podendo hipertrofiar o coração e gerar cardiomegalia.



Referências:

NEVES, Davi Pereira. Parasitologia Humana. 13ª Edição. São Paulo: Editora Atheneu, 2016.





 

Sobre autora: Bruna Luiza Carvalho Machado, técnica em Meio Ambiente pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e graduanda em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU); grande entusiasta das questões ambientais, sobretudo gestão ambiental e ecologia, com uma especial inclinação à micologia.


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